sábado, 20 de fevereiro de 2021

Hagar, Ismael, e a Proteção à Criança




 


"Quando acabou a água, Hagar colocou o menino à sombra de um arbusto e foi sentar-se sozinha, uns cem metros adiante. “Não quero ver o menino morrer”, disse ela, chorando sem parar.

Mas Deus ouviu o choro do menino e, do céu, o anjo de Deus chamou Hagar: “Que foi, Hagar? Não tenha medo! Deus ouviu o menino chorar, dali onde ele está.

Levante-o e anime-o, pois farei dos descendentes dele uma grande nação”.
Então Deus abriu os olhos de Hagar, e ela viu um poço cheio de água. Sem demora, encheu a vasilha de água e deu para o menino beber.

Deus estava com o menino enquanto ele crescia no deserto. Ismael se tornou flecheiro
e se estabeleceu no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu para ele uma esposa egípcia.”

Gênesis 21:15-21


Quando colocamos os óculos da proteção à criança, percebemos de forma muito mais contundente o cuidado de Deus para com os pequeninos. Vemos que mesmo que a sociedade nem sequer contasse as mulheres e as crianças Deus se importava e cuidava destes.

Nesse caso é muito legal observar como a história acontece. Hagar e seu filho foram expulsos de seu lar com alguma porção de pão e água e são enviados ao deserto. Em certo momento a água acaba, a porção de pão provavelmente também, e Ismael começa a chorar.

Sua mãe desesperada o coloca a sombra de um arbusto e se afasta, pois não suportaria ver seu filho morrer. Em lágrimas intermináveis ela espera pelo pior.

> Deus ouve o choro da criança!

Mas como vemos no verso 17, Deus ouviu o choro do menino. Não diz que ele ouviu o choro da mãe, apesar de que isso possa ter acontecido. Mas a Bíblia fala especificamente do choro da criança.

Deus enxerga, Ele vê, Ele olha pela criança. Deus ama e cuida dos pequenos. Deus ouve o clamor das crianças que sofrem. Ele não está apático ao sofrimento deles. Diante desse choro Deus age. Em diferentes textos bíblicos, vemos diferentes forma de atuação de Deus, e sua justiça não falha. Nesse momento, no entanto, vemos uma atuação de Deus, no sentido de preservar a vida do pequeno Ismael.

Isso nos mostra que Deus ouve o choro das crianças que sofrem a perda, o abuso, a orfandade, a fome, o desespero, a iminente morte etc. Deus se importa profundamente com cada criança e o que ela tem vivido nesse mundo caído, imerso no pecado e suas consequências.

> Deus envia o seu mensageiro!

Diante da situação Deus envia o seu mensageiro para falar com Hagar.

Nos dias de hoje Deus também enviou o mensageiro para ver o que acontece com as crianças que choram. Talvez envie um anjo, mas ele já tem seu mensageiro, enviado para trazer a realidade seu Reino e justiça para esse mundo. Para proclamar o ano aceitável do Senhor, e cuidar do órfão e da viúva. O mensageiro enviado para tornar, através de demonstrações de amor incondicional, o Deus que é invisível, visível. Deus tem a sua Igreja na terra.

Deus tem mensageiros e filhos espalhado pelos quatro cantos da terra para olhar para os pequenos que sofrem e precisam de socorro. A Igreja de Cristo está aqui para levar a mensagem e a esperança ao mundo.

Esse mensageiro, a Igreja, traz a mesma mensagem que o mensageiro do Senhor levou a Hagar. “Não se preocupe, Deus ouviu o choro do menino”.

Deus nos chama a levar esta mensagem essa mensagem de esperança. Não se preocupe, Deus ouve o choro das crianças.

> Deus orienta sobre como deve-se tratar a criança chora!

Então Deus orienta como deve ser feito o cuidado com a criança.

“Levante-o e anime-o”, algumas versões dirão “Levante-o e tome-o pela mão”, ou ainda “carregue-o pela mão”.

- Levante-o

Cuide da vida do menino. Não o deixe morrer. Não permita que a criança de desfaleça. Resguarde a vida.
Quanto à criança que sofre a primeira coisa que precisamos fazer é ter a certeza de que sua vida foi resguardada. Que a criança está segura, protegida.

Sim, é nesse momento que vejo claramente a necessidade da proteção à criança. Se ela chora porque corre risco de vida, porque sofre abusos físicos, abusos emocionais, abusos sexuais, fome, situação de risco ou vulnerabilidades extremas, é preciso que a vida e integridade da criança sejam resguardados.

Precisamos antes de qualquer coisa retirar a criança dessa situação. Precisamos garantir que os direitos dessa criança sejam assegurados. Precisamos tomar passos práticos nessa direção. Se é um risco eminente de vida, ligue para a polícia, se desconfia de algum tipo de abuso ou restrição aos seus direitos fundamentais, denuncie nos canais disponíveis para tal. FAÇA algo que vá “levantar essa criança”. Tire a criança do seu decreto de morte.

Se a orfandade a faz sofrer, faça algo!

Muitas denominações cristãs, vendo essa dor abriram orfanatos e casas de acolhimento por todo o Brasil. Mas digo: Vá além! Adote. Tire a criança da posição da dor causada pela orfandade e a levante a posição de uma criança que tem novamente uma família, ou que finalmente tem uma família. Se cada família cristã assumir a responsabilidade por uma criança em situação de orfandade, ou abandono, não precisaríamos de orfanatos, e assim o próximo passo poderá ser dado, o “tome pela mão”.

Não importa a situação que causa o choro. Deus ouve o choro, e envia o seu mensageiro para que a criança não morra. Para que a criança não permaneça na atual situação de choro, dor e morte.

- Anime-o / Segure pela mão

Esse é o próximo passo que temos que dar depois de tirar a crianças do risco. Resolver o problema do choro.
É o momento que vamos guiar essa criança. Segurar na mão e assegurar que ela não voltará mais para situação de morte, risco, abuso, sofrimento... Isso é efetivar esse cuidado.

Se Hagar após levantar o menino, não o tomasse pela mão ele poderia cair novamente e morrer.
Não adianta apenas, tirar a criança da morte. Temos que guiar a criança para a vida.

Hagar ainda não sabe como, nem o que fazer, mas sabe que desse momento em diante, ela é a responsável por guiar a criança à vida. Mantê-lo animado até que a solução ao problema seja efetivo em sua vida.

Denunciou? Resgatou? Adotou? Alimentou? Agora tenha a certeza de que o processo continuará. Cobre os resultados das autoridades locais. Tenha a certeza de que um prato de comida não é tudo que uma criança com fome receberá. Vá além. Crie a criança no caminho de que deve andar para que se desenvolva, cresça e viva uma vida abundante. Não pare no primeiro passo. Assuma a responsabilidade de assegurar que o processo seja completo.

Não seja mais um a abandonar a criança. Levantar a criança e deixá-la, não te torna melhor, te torna cúmplice. Meios caminhos não resolvem o problema, apenas retardam as consequências finais dele.

> Deus abre os olhos de quem cuida das crianças!

Nesse caso Deus abre os olhos de Hagar e ela vê um poço. O texto não diz que Deus colocou milagrosamente o poço ali, mas ele permite que Hagar consiga ver o que não via antes. A fonte de vida, esperança e solução para a dor da criança.

Muitas vezes os recursos já estão à nossa volta. Mas não vemos, e por isso temos medo de levantar a criança e assumir a responsabilidade por ela. Muitas vezes o medo de não haver recursos para socorrer uma criança que sofre, preferimos sofrer distante, chorando, sabendo que a criança vai morrer e não temos condições de ver isso acontecer (como fez Hagar no primeiro momento).

Quando assumimos a responsabilidade, o Senhor nos abre os olhos para ver recursos e estratégias para efetivarmos o resgate da criança. Haverá desafios! Hagar ainda tinha que andar carregando o menino pela mão até chegar ao poço, mantendo-o animado (vivo) caminhando até chegar aonde precisava. Mas o Senhor lhe permitiu ver, e fazer o necessário, para que o menino crescesse, e vivesse para ser o flecheiro que foi, e se casasse com uma egípcia. Para que ele pudesse viver a vida que ele tinha para viver plenamente.

Deus vai abrir nossos olhos para ver os recursos, para montarmos estratégias e levarmos a criança a passar pela infância, e ser um adulto pleno, e pronto para a vida.

Assim, viveremos um pouco mais parecidos com nosso Deus, que ouve o choro da criança e providencia tudo o que era necessário para que a morte virasse vida, e no futuro gerasse muitas outras vidas.

Este é um ciclo que queremos começar:

Tirar a criança do choro, guiá-la até a maturidade em plena forma. Assim esse novo adulto poderá agir com justiça e seguindo os passar da “Hagar” de sua vida, levante outras crianças e as tome pela mão até que cheguem ao poço e vivam.

> Concluindo

Deus se preocupa com a criança e sua proteção, seu cuidado.

Enquanto mensageiros do Senhor, Igreja, precisamos abrir nossos olhos para os pequeninos que sofrem e mudar a sua realidade. Precisamos fazer como Jesus fez, colocar a criança no centro da roda, no centro das atenções e fazer com que sejam vistas e tratadas com dignidade.

Não tem como olharmos para as escrituras e não termos a criança, sua vida, sua preservação e integridade (física, emocional e espiritual) como segundo plano, como algo desnecessário. Deus cuidou e providenciou o cuidado com as crianças e assim nos ensinou ao longo das escrituras sagradas