sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Teologia Bíblica de Missões (TBM) e Jesus Cristo.


Quero através deste texto, levá-los a refletir a respeito da Teologia Missionária e Jesus Cristo. Não é um texto exaustivo, mas simples e objetivo.

A obra missionária com certeza está baseada na vida de Cristo, o messias, ou em sua espera como o salvador do mundo. Veremos que no antigo testamento a teologia missionária se baseia na posição missionária do povo escolhido, de abençoar todos os povos da terra. No novo testamento, a vida, os ensinos e a confirmação das profecias na vida do mestre Jesus Cristo, assim como, a vida e ensinamentos de Seus apóstolos eram a base teológica para a Igreja primitiva ser uma igreja missionária, ou que representava a Cristo em seu contexto.

Considerando esses pontos que serão trabalhados em outros textos, podemos ver que tudo gira em torno do Messias. Muitas vezes não conseguimos entender Sua ligação com a Teologia Bíblica de Missões. Basicamente veremos a relação de Jesus Cristo, que é Deus, com o mundo (cosmos).

É inegável que o ministério de Jesus estava concentrado nos Judeus. Jesus mesmo declarou que veio para as ovelhas perdidas de Israel. Vemos isso muito claro no encontro de Jesus com a mulher Cananéia.

Saindo daquele lugar, Jesus retirou-se para a região de Tiro e de Sidom. Uma mulher cananéia, natural dali, veio a ele, gritando: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito". Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram: "Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós". Ele respondeu: "Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel".
Mt 15:21-24

Entretanto, no mesmo episódio vemos Cristo respondendo a oração dessa mãe. O Seu ministério estava ligado ao povo de Israel, mas não era exclusivista. Poderia gastar páginas nesse episódio, mas não é esta a intenção. O que precisamos entender é que declaradamente Jesus veio para o povo de Israel.

Apesar de Jesus vir para o povo de Israel, em João temos a certeza de que Jesus veio e morreu para Salvar o mundo. Seu ministério terreno era para com os Israelitas principalmente, mas vemos Jesus, com a mulher cananéia, um centurião, uma samaritana e outros gentios durante seu ministério. Seu foco foram os Judeus, mas a sua vinda para terra no sentido salvífico era para todos os povos, o mundo (cosmos).

Segundo George W. Peters:
Em cristo, Deus está relacionado diretamente a este mundo conhecido como cosmos. João usa esse conceito79 vezes e demonstra as várias relações de Deus como cosmos. Nos termos mais fortes possíveis, João introduz a atividade universalista de Deus. Deus não é um particularista em seus interesses, amor e relações; Ele conduz o mundo segundo seu coração e propósito.
Somos informados de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito...” (3.13). “Porque Deus enviou o Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (3.17). Somo informados de que Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (1.29); “o Salvador do mundo” (4.42); “o pão de Deus que é aquele que... dá via ao mundo” (6.33); “a luz do mundo” (8.12; 9.5; 12.46). Fala-se do Espírito Santo como o Consolador que irá condenar ou “convencer o mundo” (16.8).

Vemos que Deus está interessado no mundo, e não apenas no povo de Israel. Mesmo porque, desde o início Deus chamou um homem e fez dele um povo para abençoar TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA.

O ponto central da pregação de Jesus era o Reino de Deus. Desde o início de seu ministério até o fim, o vemos pregando o reino de Deus.

Marcos nos mostra que Jesus começou sua pregação dessa forma:
1:14 - Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus. "O tempo é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! "

Atos nos mostra que com um discurso sobre o Reino, Jesus terminou sua pregação na terra:
1:3 - Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus.

Quando falamos de “Reino de Deus” observando a pregação de Cristo, ou o tema por todo o antigo e novo testamento, percebemos que esse é um reino de aspecto individual, nacional, racial e cósmico. Também é espiritual, moral, social; terreno e atual, embora eterno e sobrenatural.

Este reino pode ser considerado de Três formas:
- O domínio de Deus no coração do homem.
- O domínio de Deus na Igreja.
- O domínio de Deus no mundo.

A revelação central de Cristo era a paternidade de Deus.
Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido. João 1:18 
Jesus é quem nos revelou a Deus. Não vemos a Deus, mas vemos ao Cristo, que é Deus e esteve entre nós. Ao se revelar, Jesus revelava a Deus.
Deus é apresentado por Jesus como Pai em Mateus 44 vezes; em Marcos, 5 vezes; em Lucas, 16; e em João 109. Um total de 173 vezes.
Cristo nos fala sobre “Meu pai” demonstrando sua relação metafísica com Deus. Nos mostra o “vosso pai” estabelecendo a nossa relação filial com Deus. E revela “Pai” o Deus pai de toda a humanidade, o Deus criador de todas as coisas.

Sua única auto identificação foi “o Filho do Homem”.
Jesus se identifica dessa forma em Mateus, 32 vezes; Marcos, 14; Lucas, 26; e em João, 12. A grande questão surge é o que Jesus queria dizer se identificando dessa forma?
Baseado no antigo testamente podemos ver que Jesus se apresentando como o Filho do Homem ele clamava para si:
- A realidade da sua humanidade.
- O homem ideal, que sendo “filho de... Adão, de Deus” (Lc 3.23-38) ele era o filho do Homem e não de uma nação ou raça qualquer. Ele é o homem de ralações universais.
- O sucessor dos Profetas. Podemos ver essa ligação pela profecia de Ezequiel, onde o “Filho do Homem” é o título daquele ao qual Deus se dirige de uma maneira única e que representa Deus para o povo.
- O messias prometido.
- Relacionado unicamente a Deus e a seu Reino. Essa ligação é apresentada em Daniel 7.13-14.

Seu proposito fundamental: sua morte e ressurreição reconciliadoras.

Jesus é o bom pastor que oferece sua vida pelas ovelhas. (Jo 1.29; 10.11; Mc 10.45)

Sua comissão pós-ressurreição era universal.

Vemos em Mateus 27 que Jesus envia seus discípulos para todas as nações e em Marcos 16 para toda criatura.

Universalidade de Seu ministério.

Mesmo depois de vermos a declaração de Jesus para a mulher Cananeia, veremos que Jesus tinha um ministério universalista quando ele se encontrava e libertava gentios:
João 4, a Mulher samaritana; Mateus 15, a mulher cananéia; Mateus 8, o centurião de Cafarnaum; Marcos 5, a libertação do homem gadareno.

Universalidade esta que também vemos em Seus ensinamentos.

Vemos Jesus ensinando que somos o Sal da Terra, Luz do mundo; a vontade de Deus deve ser feita “assim na Terra...”; “em todas as partes do mundo onde evangelho for pregado” (Mc 14.9).

Conclusão:

Jesus é o motivo de sermos o que somos. Ele é nosso reconciliador com Deus. Cristo nos chamou para pregar ao mundo. Ele mesmo quando veio o fez, apesar de estar entre um povo específico ele pregou para todos. O reino de Deus é para todo aquele que o buscar e o encontrar através de Cristo. Sua obra terrena nos demonstra o caráter universalista de seu ministério e sacrifício, assim como sua comissão pós-ressurreição.

Sua vida, teologia, auto identificação, pregação, propósito, revelação e ministério, têm um caráter universalistas. Não seremos todos salvos, mas a salvação é para todo que o buscar e achar.

Braian Pitondo

domingo, 13 de dezembro de 2015

Eleito, OK, mas para que? (Estudo 1)

Não importa a sua crença em relação à eleição, seja eleição condicional (baseada na pré-ciência de Deus) ou incondicional (fui escolhido de antemão por Deus para a salvação), todos concordamos que somos eleitos. Não quero me prender ao tema eleição, mas à grande questão que surge a partir do pressuposto de que somos eleitos.

Para que fomos eleitos?

Sei que graciosamente fomos salvos, mas será que fomos eleitos com o propósito de sermos salvos? Será que simplesmente por que um dia nos perdemos e em seu infinito amor o Senhor nos quis reconciliar consigo? Ou será que a bíblia em algum lugar nos explica o propósito de termos sido salvos ou eleitos?

Primeiro precisamos entender algumas verdades bíblicas:

Gênesis 12:1-3
Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

- Deus escolheu um homem e dele CRIOU um povo.
E far-te-ei uma grande naçãoDeus promete a Abraão que será feito, a partir dele, uma grande nação. Essa nação será chamada de Israel mais adiante na bíblia. O tão famoso povo escolhido de Deus.

- Esse povo foi criado com um propósito.
E tu serás uma bênçãoquando Deus diz a Abraão, aqui ainda chamado Abrão, que ele será uma benção, essa promessa se estende aos seus descendentes. É através deles que ele será uma benção para todas as famílias da terra. Em outras palavras essa grande nação será uma benção. E será uma benção para TODOS os povos da terra.
Obs: durante toda sua história esse povo recebe vários nomes como geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus. Vemos vários nomes que o povo de Israel recebeu em textos como Dt 10.15; 1Sm 12.22; Ex 19.6; Is 62.12; Tt 2.14...

- Esse povo rejeita sua posição como O povo de Deus.
1 Pedro 2:7,8
Portanto, para vocês, os que creem, esta pedra é preciosa; mas para os que não creem, "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular", e, "pedra de tropeço e rocha que faz cair". Os que não creem tropeçam, porque desobedecem à mensagem; para o que também foram destinados
.
Quando rejeitam ao messias prometido, que é Jesus Cristo, a pedra angular, eles tropeçam e decaem de sua posição. Pois, desobedeceram à mensagem para a qual também foram predestinados.

- Esse privilégio então passa para outro povo:
Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
1 Pedro 2.9

Esse privilégio agora será carregado pela igreja, que espiritualmente representa o novo Israel de Deus. Somos nós agora o povo escolhido, aqueles que receberam e se firmaram na pedra angular que é Jesus Cristo.
Nós somos o povo de Deus (geração eleita); representantes dEle e ponto de encontro deste mundo com Deus (sacerdócio real); cidadãos não deste mundo, mas dos céus (nação santa); e por fim somos dEle, pertencente à Deus e somente a Ele (povo exclusivo de Deus).

 - Assim como Israel fomos feito povo de Deus por um propósito.
PARA anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz – para cumprir o propósito de sermos Seus, que é anunciar as grandezas daquele que nos chamou das trevas para a luz. Quem nos chamou das trevas para a luz foi o cristo, com o seu ato salvador. Somos os Seus representantes aqui na Terra. Devemos, portanto, com nossas palavras e vidas anunciar quem Deus é, e o que Deus fez para nos dar a vida. Assim seremos uma benção sobre todos os povos. Cumprindo-se, então, em nós a promessa de que todos os povos seriam abençoados.
Mas para isso precisamos cumprir nossa função como povo escolhido de Deus, como ELEITOS. Que é: Sermos uma benção para todas as famílias da terra, anunciando as grandezas daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz.