Quero através deste texto, levá-los a refletir a
respeito da Teologia Missionária e Jesus Cristo. Não é um texto exaustivo, mas
simples e objetivo.
A obra missionária com certeza está baseada na vida de
Cristo, o messias, ou em sua espera como o salvador do mundo. Veremos que no
antigo testamento a teologia missionária se baseia na posição missionária do
povo escolhido, de abençoar todos os povos da terra. No novo testamento, a
vida, os ensinos e a confirmação das profecias na vida do mestre Jesus Cristo,
assim como, a vida e ensinamentos de Seus apóstolos eram a base teológica para
a Igreja primitiva ser uma igreja missionária, ou que representava a Cristo em
seu contexto.
Considerando esses pontos que serão trabalhados em
outros textos, podemos ver que tudo gira em torno do Messias. Muitas vezes não
conseguimos entender Sua ligação com a Teologia Bíblica de Missões. Basicamente
veremos a relação de Jesus Cristo, que é Deus, com o mundo (cosmos).
É inegável que o ministério de Jesus estava concentrado
nos Judeus. Jesus mesmo declarou que veio para as ovelhas perdidas de Israel.
Vemos isso muito claro no encontro de Jesus com a mulher Cananéia.
Saindo daquele lugar, Jesus
retirou-se para a região de Tiro e de Sidom. Uma mulher cananéia, natural dali,
veio a ele, gritando: "Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito". Mas Jesus não lhe
respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram:
"Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós". Ele respondeu:
"Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel".
Mt 15:21-24
Mt 15:21-24
Entretanto, no mesmo episódio vemos Cristo respondendo
a oração dessa mãe. O Seu ministério estava ligado ao povo de Israel, mas não
era exclusivista. Poderia gastar páginas nesse episódio, mas não é esta a
intenção. O que precisamos entender é que declaradamente Jesus veio para o povo
de Israel.
Apesar de Jesus vir para o povo de Israel, em João
temos a certeza de que Jesus veio e morreu para Salvar o mundo. Seu ministério
terreno era para com os Israelitas principalmente, mas vemos Jesus, com a
mulher cananéia, um centurião, uma samaritana e outros gentios durante seu ministério.
Seu foco foram os Judeus, mas a sua vinda para terra no sentido salvífico era
para todos os povos, o mundo (cosmos).
Segundo George W. Peters:
Em cristo, Deus está relacionado diretamente a este
mundo conhecido como cosmos. João usa
esse conceito79 vezes e demonstra as várias relações de Deus como cosmos. Nos termos mais fortes
possíveis, João introduz a atividade universalista de Deus. Deus não é um
particularista em seus interesses, amor e relações; Ele conduz o mundo segundo
seu coração e propósito.
Somos informados de que “Deus amou o mundo de tal
maneira que deu seu filho unigênito...” (3.13). “Porque Deus enviou o Filho ao
mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por
ele” (3.17). Somo informados de que Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo” (1.29); “o Salvador do mundo” (4.42); “o pão de Deus que é
aquele que... dá via ao mundo” (6.33); “a luz do mundo” (8.12; 9.5; 12.46).
Fala-se do Espírito Santo como o Consolador que irá condenar ou “convencer o
mundo” (16.8).
Vemos que Deus está interessado no mundo, e não apenas
no povo de Israel. Mesmo porque, desde o início Deus chamou um homem e fez dele
um povo para abençoar TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA.
O ponto central da pregação de
Jesus era o Reino de Deus.
Desde o início de seu ministério até o fim, o vemos pregando o reino de Deus.
Marcos nos mostra que Jesus começou sua pregação dessa
forma:
1:14 - Depois que João foi preso, Jesus foi para a
Galiléia, proclamando as boas novas de Deus. "O tempo é chegado",
dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas
novas! "
Atos nos mostra que com um discurso sobre o Reino, Jesus
terminou sua pregação na terra:
1:3 - Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a
eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes
por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus.
Quando falamos de “Reino de Deus” observando a
pregação de Cristo, ou o tema por todo o antigo e novo testamento, percebemos
que esse é um reino de aspecto individual, nacional, racial e cósmico. Também é
espiritual, moral, social; terreno e atual, embora eterno e sobrenatural.
Este reino pode ser considerado de Três formas:
- O domínio de Deus no coração do homem.
- O domínio de Deus na Igreja.
- O domínio de Deus no mundo.
A revelação central de Cristo era a paternidade de Deus.
Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que
está junto do Pai, o tornou conhecido. João 1:18
Jesus é quem nos revelou a Deus. Não vemos a Deus, mas
vemos ao Cristo, que é Deus e esteve entre nós. Ao se revelar, Jesus revelava a
Deus.
Deus é apresentado por Jesus como Pai em Mateus 44
vezes; em Marcos, 5 vezes; em Lucas, 16; e em João 109. Um total de 173 vezes.
Cristo nos fala sobre “Meu pai” demonstrando sua
relação metafísica com Deus. Nos mostra o “vosso pai” estabelecendo a nossa
relação filial com Deus. E revela “Pai” o Deus pai de toda a humanidade, o Deus
criador de todas as coisas.
Sua única auto identificação foi “o Filho do Homem”.
Jesus se identifica dessa forma em Mateus, 32 vezes;
Marcos, 14; Lucas, 26; e em João, 12. A grande questão surge é o que Jesus
queria dizer se identificando dessa forma?
Baseado no antigo testamente podemos ver que Jesus se
apresentando como o Filho do Homem ele clamava para si:
- A realidade da sua humanidade.
- O homem ideal, que sendo “filho de... Adão, de Deus”
(Lc 3.23-38) ele era o filho do Homem e não de uma nação ou raça qualquer. Ele
é o homem de ralações universais.
- O sucessor dos Profetas. Podemos ver essa ligação
pela profecia de Ezequiel, onde o “Filho do Homem” é o título daquele ao qual
Deus se dirige de uma maneira única e que representa Deus para o povo.
- O messias prometido.
- Relacionado unicamente a Deus e a seu Reino. Essa
ligação é apresentada em Daniel 7.13-14.
Seu proposito fundamental: sua morte e ressurreição reconciliadoras.
Jesus é o bom pastor que oferece sua vida pelas
ovelhas. (Jo 1.29; 10.11; Mc 10.45)
Sua comissão pós-ressurreição era universal.
Vemos em Mateus 27 que Jesus envia seus discípulos
para todas as nações e em Marcos 16 para toda criatura.
Universalidade de Seu ministério.
Mesmo depois de vermos a declaração de Jesus para a
mulher Cananeia, veremos que Jesus tinha um ministério universalista quando ele
se encontrava e libertava gentios:
João 4, a Mulher samaritana; Mateus 15, a mulher
cananéia; Mateus 8, o centurião de Cafarnaum; Marcos 5, a libertação do homem
gadareno.
Universalidade esta que também vemos em Seus
ensinamentos.
Vemos Jesus ensinando que somos o Sal da Terra, Luz do
mundo; a vontade de Deus deve ser feita “assim na Terra...”; “em todas as
partes do mundo onde evangelho for pregado” (Mc 14.9).
Conclusão:
Jesus é o motivo de sermos o que somos. Ele é nosso
reconciliador com Deus. Cristo nos chamou para pregar ao mundo. Ele mesmo
quando veio o fez, apesar de estar entre um povo específico ele pregou para
todos. O reino de Deus é para todo aquele que o buscar e o encontrar através de
Cristo. Sua obra terrena nos demonstra o caráter universalista de seu
ministério e sacrifício, assim como sua comissão pós-ressurreição.
Sua vida, teologia, auto identificação, pregação,
propósito, revelação e ministério, têm um caráter universalistas. Não seremos
todos salvos, mas a salvação é para todo que o buscar e achar.
Braian Pitondo

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