terça-feira, 31 de março de 2020

Olhando as escrituras através deste século, ou este século através das escrituras?


Hoje, depois de me debruçar por algumas horas em um Livro sobre pregação e pregadores, percebi o quanto posso ser falho em refletir sobre a vida com a palavra de Deus em tudo a minha volta. Sendo a escritura a lente pela qual eu olho para o mundo. Tenho a minha devocional diária, meus momentos de oração, preparação de sermão, trabalho em uma agência missionária, onde tudo o que fazemos tem o propósito que Cristo chegue até os povos ainda não alcançados. Ainda assim, muitas vezes falho em olhar para a vida sob a ótica das escrituras. Assim às vezes olho para as escrituras com os óculos deste século, ou do momento em que vivo, ou o que sinto, ao invés do contrário. Sendo o correto olhar para as circunstâncias da vida, para o mundo, seu momento, e tudo mais sob a ótica a palavra.

Onde quero chegar com essa reflexão?
Hoje muito se fala sobre novas teologias, e como interpretar as escrituras a partir das culturas. Temos a teologia dos negros, as teologias latino americanas, sob o pretexto de que a teologia, vem do branco norte americano, e que esta não consegue falar com o latino, ou o negro.
Mas nós não podemos ler a Bíblia com a lente do branco, ou do negro, ou do latino, ou do teólogo, ou do missionário, ou do pobre, ou do rico, ou da mulher, ou do homem, ou da forma que for. Precisamos que Bíblia leia o branco e traga resposta a seus mais profundos questionamento, ou leia ao negro e fale com ele com precisão, ou descreva ao latino como a sua vida deve ser lida e como reagir a essa leitura.
Como pregador da palavra, preciso parar de ir às a escritura partindo do mundo, ou do momento. Não olhar para a Bíblia do ponto de vista do corona vírus, e tentar achar uma forma relevante de lidar com ele, mas olhar para ele de uma perspectiva bíblica. Deixar a Bíblia ler este século, e nossas vidas.
Não sei o quanto consegui ser claro na prescrição de meus pensamentos noturnos neste post que compartilho. Quero te desafiar a parar de trazer leituras momentâneas e culturais, para a escritura, mas alimente-se dela puramente, e ela lerá tudo a sua volta, trazendo vida a todas as questões, e respondendo profundamente a todos os anseios do coração humano. Pois ela é viva e eficaz, e não precisa do auxílio deste século para ser lida de forma mais adequada. Ao contrário partindo dela, este século será lido como deve ser, e sua questões respondidas antes mesmo de serem perguntadas.
Que o Senhor me ajude, nessa tarefa de apresentar as Escrituras, não colocando respostas nela para este século, mas respondendo à este século com suas eternas verdades.
Ore por cada expositor das Sagradas Escrituras, para que estes antes de qualquer coisa se deixem ler pelas escrituras, e sendo transformados por essas palavras as apresentem a Igreja de Cristo, que tem sede das verdade imutáveis, atemporais e supra culturais das Escrituras. Pois, estes muitas vezes ouvem apenas caprichos colocados sobre texto, para tentar fazer sermões que nos agradem os ouvidos, quando deveriam, mesmo que “dolorosamente”, gerar refrigério para nossas almas, e transformar o nosso século não se conformando com ele. Precisamos de palavras menos confortáveis, mas que confortem muito mais os nossos dias e a alma.
Esta é a oração de um mensageiro do Rei, que clama a cada dia ao Santo Espírito que lhe dê intrepidez e sabedoria no olhar para as Sagradas Escrituras, e através delas ler os nossos dias, para trazer no alimento espiritual as vitaminas de que necessita a Igreja, e não o sabor que ela espera no prato. Mais vale a vitamina C que causa um sabor ácido, ardido como o do limão, do que o açúcar que agrando ao paladar te leva ao túmulo. Assim mais vale uma verdade bíblica difícil de degustar do que a mentira agradável ao ouvido e fácil de pregar.

Braian Pitondo!

sábado, 25 de janeiro de 2020

Refletindo com Agostinho de Hipona!



"... era impedido, não por grilhões alheios, mas por minha própria vontade férrea. O inimigo dominava-me o querer e forjava uma cadeia que me mantinha preso. Da vontade pervertida nasce a paixão; seguindo a paixão, adquiri-se o hábito, e não resistindo ao hábito, cria-se a necessidade. Com essa espécie de anéis entrelaçados (por isso falei de cadeia), mantinha-me ligado à dura escravidão".
Agostinho, Confissões, Livro VIII

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

"Saia da sua terra e vá para onde eu lhe mostrar!" A jornada da Vida. (Gn12:1-4)



Photo by Simon English on Unsplash


Então o Senhor disse a Abrão: "Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
"Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção.
Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados".
Partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor, e Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

Gênesis 12:1-4

Por que Abraão sairia de sua terra com sua família sem saber para onde iria? O que faria alguém seguir viagem, abandonar toda a sua vida pra trás sem ter ideia nenhuma de qual é o destino dessa jornada?

A resposta é bem simples apesar de não estar descrita no texto. Ele não sabia para onde iria, mas sabia com quem iria. Quando Deus fala com Abraão, ele diz que mostrará a terra para onde deve ir. Isso mostra que Deus iria com ele, mostrando o caminho a seguir. Abraão sabia o mais importante de todos os fatos, mesmo que fosse nesse momento o único que ele sabia, que Deus estava com ele lhe mostrando para onde ir.

Deus muitas vezes não nos dá a informação completa, mas nos dá direções.
Um dia Ele me chamou para fazer missões. Meu coração se encheu de uma certeza: Tenho que ir ao perdido e levar a mensagem do Evangelho do Cristo que um dia me tirou dar trevas e me trouxe para a Sua maravilhosa luz.

Até hoje não sei onde essa jornada vai parar. Tenho descoberto cada passo no caminho, e fico tentando imaginar onde vou parar. Até hoje não tive essa resposta, mas sigo em paz, tendo uma certeza. Sei quem está comigo me mostrando a cada momento para onde ir e o que fazer. Se me perguntar onde estarei em 5 anos, minha resposta é bem clara: eu não faço ideia.

Não é um estilo de vida confortável, mas é o melhor. Afinal o melhor lugar para vivermos, é o centro da vontade de Deus.

Será que Deus está te chamando a seguir por um caminho com certas incertezas e você está em dúvida do que fazer? Afinal não sabe onde esse caminho vai dar?

Talvez você assim como Abraão, ou Braian, ou tantos outros, não saiba onde a jornada vai terminar, mas sabe que o Senhor está assim te direcionando. Se este é o seu caso, te desafio a focar mais em quem vai contigo, do que em para onde essa jornada vai te levar.

A postura de obediência, foi a marca da vida de Cristo, e isso fica claro em Filipenses 2, onde somos chamados a ter a mesma atitude que houve em Cristo, a atitude de obedecer a Deus até as últimas consequências sejam quais forem. Seguir o chamado dEle para a nossa vida.

Abraão tinha palavra de Deus dizendo que mostraria para onde ir. Nós temos a mensagem do Cristo Ressurreto dizendo que estará conosco até os fins dos tempos, enquanto vamos e fazemos discípulos de todas as nações.

Se você não tiver ainda todas as respostas, mas tiver o direcionamento de Deus. Vá na certeza de Sua presença constante.

Muitos chegam para o treinamento missionário em nossa base, sem saber para onde vão, mas sabem de seu chamado e creem que Deus mostrará mais detalhes durante o caminho. É lindo ver isso se realizando em suas vidas.

Experimente confiar em quem vai contigo, quando não souber para onde está indo, e certamente experimentará o melhor dessa terra.

Mesmo em um estilo de vida não missionário – no sentido de ir para o campo – você pode parar de se preocupar por não ter todas as certezas do caminho, pois tem a certeza de quem caminha contido. Creia mais nesse Deus, confie em sua presença, e seus dias serão muito melhores. 

Deus os abençoe,
Braian Pitondo.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

O arco-iris na Rodovia Dom Pedro Segundo.



Gênesis 9:12-17
Estava dirigindo na estrada de volta para minha casa depois de uma viagem em família, quando começou a chover. Essa é uma estrada que eu considero muito linda. Conforme a chuva foi diminuindo, o sol aparecia e por duas vezes dentre as árvores e montes pude ver dois arco-íris.
Apesar de não poder contemplá-los como gostaria (estava dirigindo), pude refletir um pouco sobre eles, assim como o seu propósito de ser.
O arco-íris foi colocado no céu para nos lembrar, e lembrar a Deus (como se ele pudesse se esquecer) de sua aliança com toda a humanidade. Aliança de que nunca mais o mundo ou qualquer forma de vida se findariam em forma de dilúvio de novo.
Esse ano, comecei o ano fazendo uma devocional em Lamentações 3.21-24, que diz que devemos trazer a memória aquilo que nos pode dar a esperança: as misericórdias do Senhor que se renovam a cada dia, e Sua fidelidade.
O arco-íris, é uma das lembranças mais claras sobre a fidelidade do Senhor. Assim como prometeu, sabemos que lá está o arco para lembrarmo-nos de sua misericórdia fiel, que se renova a cada manhã.
Lembrei-me que então que o Senhor me resgatou do dilúvio do pecado, me restaurou e trouxe para a luz. Que eu estava perdido e fui achado, pela graça de Cristo. Lembrei-me qual fim eu merecia, assim como toda a humanidade, e que não somos consumidos, pois ele é fiel a sua palavra. A sua palavra dada a Noé, e a todos que vieram depois dele. Que sua promessa perdura até hoje, e o arco-íris estava lá para me lembrar de tudo isso. Que sem o Senhor eu não sou nada. Que não mereço o que dEle recebi, mas ele me deu mesmo assim. Que a marca de sua fidelidade estava lá no céu para me trazer a memória aquilo que me pode dar esperança. A misericórdia e aliança de Deus para com toda a terra e forma de vida, e a sua fidelidade demonstrada, como um marco.
Não queria que a estrada acabasse, pois a ali fui abraçado pela presença de Deus, pude me arrepender de novo de vários maus caminhos, sabendo que o Deus misericordioso me perdoa e ama, apesar de mim, pois é o que sua palavra, que nunca passará, diz.
Quando ver um arco-íris, lembre-se que o Senhor já demonstrou sua santa ira e limpou a face da terra uma vez com água, e que isso não vai acontecer de novo, pois Ele é fiel a sua palavra, Ele é misericordioso e te ama apesar de ti. Sua fidelidade dura para sempre, e Ele não é homem para mentir, nem filho do homem para se arrepender. Ele é a verdade e a verdade está nEle. Todas as suas palavras se cumprirão.
Não deixe jamais que um marco, um símbolo tão belo passe desapercebido, pois a mensagem que o arco-íris carrega é uma das mais profundas mensagens sobre o caráter de Deus. Não se preocupe apenas em fotografar sua beleza, mas pare, reflita e se transforme.
Espero que em 2020 os menores detalhes do seu e do meu dia-a-dia sirvam para a reflexão e transformação. Pois em tudo podemos ver a glória e presença de Deus, só precisamos olhar mais de perto. Até mesmo na morte, quando podemos experimentar a presença do Espírito consolador como em raros outros momentos.
Viu algo... Pare! Pense! Reflita! Mude!
Renove sua mente na palavra de Deus, vivendo e aplicando-a em tudo o que fizer, ver, sentir e experimentar.
Espero que mais arco-íris e outras formas da manifestação de Deus para nós, cruze meu caminho esse ano, e em cada uma delas, eu sinta a suave presença de Deus me ensinando, como pude sentir nessa viagem.
Deus os abençoe.

O Deus que dirige a história e se Revela através dela!



Um dos textos que mais me falam ao coração, sobre o Deus que dirige a história é caso do coração de Faraó sendo endurecido por Deus, para que se cumprisse aquilo que fora dito por Deus, e se realizasse o Seu plano sobre a vida de Seu povo.

Se olharmos para a história das dez pragas sobre o Egito, veremos que o Senhor endurece o seu coração, ou seu coração permanece obstinado e não deixa o povo sair. Essa história se encontra entre os capítulos 7e 10 de Êxodo.

Os momentos supracitados estão nos textos a seguir:
Ex 7:22; 8:15,19,32; 9:7,12,34; 10:20,27

Tudo isso para que o Senhor se revelasse. Muito tempo já havia passado desde que Deus se manifestara a seu povo, e eles já haviam se esquecido quem Ele era. Ocorreu também para que os Egípcios soubessem quem era Deus.

No capítulo 7, versículo 5 o texto diz: “E os egípcios saberão que eu sou o Senhor, quando eu estender minha mão contra o Egito e tirar de lá os israelitas”.

Deus se revelava através das pragas aos egípcios, sendo cada praga a representação de um Deus egípcio. Os principais deuses foram vencidos pelo único e verdadeiro Deus, o Deus de Israel. Deus não estava simplesmente torturando o povo que havia escravizados os seus, mas estava se revelando a Eles. Vemos que muitos se voltaram a Ele pois deixaram o Egito junto com os Hebreus.

No capítulo 10, versículo 2, o texto diz: “para que você possa contar aos seus filhos e netos como zombei dos egípcios e como realizei meus milagres entre eles. Assim vocês saberão que eu sou o Senhor”.

O povo não havia esquecido Deus, pois clamaram a Ele e foram ouvidos, mas já haviam esquecido quem Ele era, seu poder, sua glória e majestade, sua onipotência e presença entre eles. Talvez depois desses 400 anos de silêncio de Deus, e escravidão, tenham transformado a imagem desse Deus em uma lenda entre seu povo. Entretanto, o Deus queria que o povo dEle soubesse que Ele é Senhor.

Através do endurecimento do coração de Faraó, e as pragas, Deus se revela como Senhor sobre todos os povos.

Esse texto me ajuda muito a passar por momentos de dificuldade e dor, os momentos em que não entendo. Pois, me lembra que o Senhor domina sobre a história com maestria, e que tudo na história tem seu propósito, mesmo que não consigamos jamais entender.
Através dessa história, e daquilo que Deus realizou no Egito, nós hoje em pleno século XXI sabemos que Ele é o Senhor da história e dos povos. Sabemos ninguém jamais se igualará a Ele.

Ele continua se revelando, através de Seus poderosos feitos.
Deus determinou que assim seria, no capítulo 4 de Êxodo, quando fala com Moisés. Ele diz que endureceria ao coração do Faraó até tirar seu primeiro filho, pois ele não estava deixando ir o seu primeiro filho, o povo de Israel. Portanto, as coisas não poderiam ter sido diferentes, o coração de Faraó não se amoleceria até que seu primeiro filho fosse tomado.
Deus controlou a história em seus mínimos detalhes, para que o Egito fosse ferido na mesma proporção do seu pecado contra o Senhor e Seu povo. Controlou a história de forma que todos os povos soubessem, e saibam até hoje, que Ele é o Senhor.

Simplesmente confie nEle. Saiba que Ele é Deus e Senhor de todos. Pois ele é o mesmo Deus que cuidou e olhou por seu povo no AT, e cuida de sua Igreja hoje.