sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Teologia Bíblica de Missões e o AT - Parte 1

Quando tratamos de uma missiologia no antigo testamento percebemos que existem várias considerações a se fazer. Precisamos entender o caráter missionário de Deus já nos primeiros dias da humanidade. Também é importante refutar a ideia de que no Antigo Testamento (AT) a revelação tem um aspecto totalmente e somente nacionalista.

É muito importante entendermos que nos relatos de Gênesis 1-11 a revelação alcançou a toda a humanidade. Antes de ter um aspecto nacionalista a revelação era racial, portanto, toda a raça humana teve acesso à revelação. Depois, então, um aspecto nacionalista a partir de Abraão e por todo o AT. No Novo Testamento (NT) a revelação se torna eclesiástica finalmente.

Vou tratar dos primeiros 11 capítulos de Gênesis: a revelação racial e o chamado protoevangelho.

Adão, não é apenas o pai biológico de toda a humanidade, mas ele é a criação e a encarnação de toda a raça humana. Portanto, Adão é líder biológico e legal de toda a raça humana. Sendo assim, a raça humana é muito mais do que um amontoado de gente ou um número a ser considerado, mas um único organismo. Todo ser humano queira ou não, faz parte desse organismo. Esse “corpo” colossal de acordo com sua origem e natureza anuncia seu pai, Adão. Isso envolve todo o caráter inclusivo da derrota e universalidade do pecado (Rm 5.12; 3.10-12,23), com a necessidade do novo nascimento de cada indivíduo (Jo 3.3), e a encarnação de Cristo como o Salvador e Redentor (Rm 5.12-21).

Gênesis 3.15  é uma promessa feita a toda a humanidade. Em meio a noite mais escura da humanidade, brilha a estrela da manhã. Essa é uma promessa de importância universal, sendo assim, alcança a todos os indivíduos da terra.

“Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar".

Essa promessa sustenta seis fatos:

11-    A Salvação é operada por Deus. Ele é quem providencia e opera a obra da salvação, não o humanismo ou a autoredenção. É uma promessa e obra de Deus. Assim a salvação é cheia de graça, originada e operada em e por Deus, que a obtém.

22-    A salvação destruirá Satanás, o inimigo. Sendo assim, o mal não é um castigo permanente da humanidade, mas Deus e a boa vontade triunfam finalmente.

33-    A salvação afetará a humanidade como um todo. Sim, não afetará apenas ao povo de Israel, mas toda a raça humana. Essa é uma verdade teológica presente no AT.

44-    A salvação virá através de um mediador que é humano. Verdade essa que se cumpre plenamente em Cristo, que mesmo sendo Deus se tornou homem e foi o mediador que nos trouxe a salvação.

55-    A alvação está ligada ao sofrimento desse mediador. O inimigo deve ferir seu calcanhar.

66-    Assim como a derrota é uma parte da história, a salvação também o é.

Portanto, a salvação sustentada no AT em Gn 3.15, inclui a humanidade em promessa, provisão, propósito e potencial.

O protoevangelho, portanto, deve ser o princípio hermenêutico que conduz a interpretação do AT. A universalidade do protoevangelho é básica para a revelação do AT. Esta é também uma promessa incondicional e irrevogável. Torna-se a estrela guia por toda a história do AT até que se realize em Cristo, a Semente da Mulher.

Essa universalidade é continuada e testificada no pacto de Deus com Noé, pois, o pacto foi para com Noé e seus filhos, não Noé e Sem (seu filho) apenas (Gn 9.1,8,9).


Estudo baseado no livro Teologia Bíblica de Missões de George W. Peters.

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