Quando tratamos de uma missiologia
no antigo testamento percebemos que existem várias considerações a se fazer. Precisamos
entender o caráter missionário de Deus já nos primeiros dias da humanidade. Também
é importante refutar a ideia de que no Antigo Testamento (AT) a revelação tem
um aspecto totalmente e somente nacionalista.
É muito importante entendermos que
nos relatos de Gênesis 1-11 a revelação alcançou a toda a humanidade. Antes de
ter um aspecto nacionalista a revelação era racial, portanto, toda a raça
humana teve acesso à revelação. Depois, então, um aspecto nacionalista a partir
de Abraão e por todo o AT. No Novo Testamento (NT) a revelação se torna
eclesiástica finalmente.
Vou tratar dos primeiros 11
capítulos de Gênesis: a revelação racial e o chamado protoevangelho.
Adão, não é apenas o pai biológico de
toda a humanidade, mas ele é a criação e a encarnação de toda a raça humana.
Portanto, Adão é líder biológico e legal de toda a raça humana. Sendo assim, a
raça humana é muito mais do que um amontoado de gente ou um número a ser considerado,
mas um único organismo. Todo ser humano queira ou não, faz parte desse
organismo. Esse “corpo” colossal de acordo com sua origem e natureza anuncia
seu pai, Adão. Isso envolve todo o caráter inclusivo da derrota e
universalidade do pecado (Rm 5.12; 3.10-12,23), com a necessidade do novo nascimento
de cada indivíduo (Jo 3.3), e a encarnação de Cristo como o Salvador e Redentor
(Rm 5.12-21).
Gênesis 3.15 é uma promessa feita a toda a humanidade. Em
meio a noite mais escura da humanidade, brilha a estrela da manhã. Essa é uma
promessa de importância universal, sendo assim, alcança a todos os indivíduos
da terra.
“Porei
inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela;
este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar".
Essa promessa sustenta seis fatos:
11-
A Salvação é operada por Deus. Ele é quem providencia
e opera a obra da salvação, não o humanismo ou a autoredenção. É uma promessa e
obra de Deus. Assim a salvação é cheia de graça, originada e operada em e por
Deus, que a obtém.
22-
A salvação destruirá Satanás, o inimigo. Sendo assim,
o mal não é um castigo permanente da humanidade, mas Deus e a boa vontade
triunfam finalmente.
33-
A salvação afetará a humanidade como um todo. Sim, não
afetará apenas ao povo de Israel, mas toda a raça humana. Essa é uma verdade teológica
presente no AT.
44-
A salvação virá através de um mediador que é humano. Verdade
essa que se cumpre plenamente em Cristo, que mesmo sendo Deus se tornou homem e
foi o mediador que nos trouxe a salvação.
55-
A alvação está ligada ao sofrimento desse mediador. O
inimigo deve ferir seu calcanhar.
66-
Assim como a derrota é uma parte da história, a
salvação também o é.
Portanto, a salvação sustentada no
AT em Gn 3.15, inclui a humanidade em promessa, provisão, propósito e
potencial.
O protoevangelho, portanto, deve
ser o princípio hermenêutico que conduz a interpretação do AT. A universalidade
do protoevangelho é básica para a revelação do AT. Esta é também uma promessa incondicional
e irrevogável. Torna-se a estrela guia por toda a história do AT até que se
realize em Cristo, a Semente da Mulher.
Essa universalidade é continuada e
testificada no pacto de Deus com Noé, pois, o pacto foi para com Noé e seus
filhos, não Noé e Sem (seu filho) apenas (Gn 9.1,8,9).
Estudo baseado no livro Teologia Bíblica de Missões de George W.
Peters.

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