quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Teologia Bíblica de Missões e o AT - Parte 2 - O Nacionalismo da Religião de Israel


Quando estamos falando ou formando uma teologia missionária, é fundamental considerarmos a história da religião do povo de Israel. Precisamos entender o seu aspecto nacional e o porquê dele para não acharmos que no AT a religião se tornou particularista.
  
Fato é que em todos os povos e culturas de todos os tempos podemos encontrar a presença da religião. Exceto os povos ocidentais modernos que tentam se afastar de aspectos religiosos, todos os outros povos os buscam ao longo de toda a história. 

A grande diferença entre as religiões e A Religião está em seu ponto inicial, sua essência. As religiões ao redor do mundo estão baseadas na cultura, história, psicologia ou fé humana e suas ideias indutivas e especulativas sobre o mundo e suas questões. A religião do AT não surgiu dentro do homem ou seus pressupostos e referências, mas foi criada pelo próprio Deus. Portanto, ela é fruto de uma ação divina na história humana. Esta religião é também um monoteísmo étnico, divinamente inspirado, que preserva o homem da desorientação do panteísmo na idolatria e no espiritismo. Ela foi criada para sustentar a esperança inspirada no Redentor (Gn 3.15 – o protoevangelho). Por fim, é o chamado divino de uma minoria seletiva usada como instrumento missionário para a humanidade. 

A religião de certa forma se tornou, sim, particularista, mas apenas em método, não em promessa, designo e efeito. A ideia de um Deus particularista não pode acontecer, pois assim Deus deixaria de ser Eloim o Deus da criação e o Deus das nações. 

Em Rm. 1, Paulo apresenta uma interpretação teológica da história religiosa das nações. O mundo estava se perdendo na idolatria, sensualidade e depravação. Deus, então, o julga e entrega esse mundo a si mesmo. O pecado foi punido com o próprio pecado e aí vemos o processo de degeneração e perdurou séculos e séculos. Então as nações criam suas próprias culturas e religiões. O mundo entra em um processo contínuo de obscurecimento espiritual. Fica nesse ponto claro que o homem por si só não pode encontrar a Deus. O que nos faz entender que era então necessário que Deus intervisse diretamente na história como o fez. 

Deus penetrou na história para procurar Abraão e não o contrário.  

Essa religião nacional representa um ponto de virada na história das religiões.  

A religião é o cimento que mantém a cultura unida. Religião sem o Deus verdadeiro inevitavelmente leva a imagem inadequada do homem, do pecado e da natureza. Sendo assim a religião é uma fonte para o bem ou para o mal e isso vai depender do conceito de Deus por trás dessa religião. 

A escolha de Israel como o povo que carregaria a religião do AT não foi arbitrária de favoritismo, de particularismo conservador e nacionalista. Foi um ato da soberania e escolha gloriosa para preservar a raça e o destino temporal e eterno da humanidade. 

Dessa forma Israel é o povo mediador entre Deus e as nações. A nação que deveria revelar a revelação única que recebera de Deus. Sendo assim, nesse método particularista, Israel é chamada para ser um CANAL e não um DEPÓSITO de bênçãos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Teologia Bíblica de Missões e o AT - Parte 1

Quando tratamos de uma missiologia no antigo testamento percebemos que existem várias considerações a se fazer. Precisamos entender o caráter missionário de Deus já nos primeiros dias da humanidade. Também é importante refutar a ideia de que no Antigo Testamento (AT) a revelação tem um aspecto totalmente e somente nacionalista.

É muito importante entendermos que nos relatos de Gênesis 1-11 a revelação alcançou a toda a humanidade. Antes de ter um aspecto nacionalista a revelação era racial, portanto, toda a raça humana teve acesso à revelação. Depois, então, um aspecto nacionalista a partir de Abraão e por todo o AT. No Novo Testamento (NT) a revelação se torna eclesiástica finalmente.

Vou tratar dos primeiros 11 capítulos de Gênesis: a revelação racial e o chamado protoevangelho.

Adão, não é apenas o pai biológico de toda a humanidade, mas ele é a criação e a encarnação de toda a raça humana. Portanto, Adão é líder biológico e legal de toda a raça humana. Sendo assim, a raça humana é muito mais do que um amontoado de gente ou um número a ser considerado, mas um único organismo. Todo ser humano queira ou não, faz parte desse organismo. Esse “corpo” colossal de acordo com sua origem e natureza anuncia seu pai, Adão. Isso envolve todo o caráter inclusivo da derrota e universalidade do pecado (Rm 5.12; 3.10-12,23), com a necessidade do novo nascimento de cada indivíduo (Jo 3.3), e a encarnação de Cristo como o Salvador e Redentor (Rm 5.12-21).

Gênesis 3.15  é uma promessa feita a toda a humanidade. Em meio a noite mais escura da humanidade, brilha a estrela da manhã. Essa é uma promessa de importância universal, sendo assim, alcança a todos os indivíduos da terra.

“Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar".

Essa promessa sustenta seis fatos:

11-    A Salvação é operada por Deus. Ele é quem providencia e opera a obra da salvação, não o humanismo ou a autoredenção. É uma promessa e obra de Deus. Assim a salvação é cheia de graça, originada e operada em e por Deus, que a obtém.

22-    A salvação destruirá Satanás, o inimigo. Sendo assim, o mal não é um castigo permanente da humanidade, mas Deus e a boa vontade triunfam finalmente.

33-    A salvação afetará a humanidade como um todo. Sim, não afetará apenas ao povo de Israel, mas toda a raça humana. Essa é uma verdade teológica presente no AT.

44-    A salvação virá através de um mediador que é humano. Verdade essa que se cumpre plenamente em Cristo, que mesmo sendo Deus se tornou homem e foi o mediador que nos trouxe a salvação.

55-    A alvação está ligada ao sofrimento desse mediador. O inimigo deve ferir seu calcanhar.

66-    Assim como a derrota é uma parte da história, a salvação também o é.

Portanto, a salvação sustentada no AT em Gn 3.15, inclui a humanidade em promessa, provisão, propósito e potencial.

O protoevangelho, portanto, deve ser o princípio hermenêutico que conduz a interpretação do AT. A universalidade do protoevangelho é básica para a revelação do AT. Esta é também uma promessa incondicional e irrevogável. Torna-se a estrela guia por toda a história do AT até que se realize em Cristo, a Semente da Mulher.

Essa universalidade é continuada e testificada no pacto de Deus com Noé, pois, o pacto foi para com Noé e seus filhos, não Noé e Sem (seu filho) apenas (Gn 9.1,8,9).


Estudo baseado no livro Teologia Bíblica de Missões de George W. Peters.