Quando estamos falando ou formando uma teologia missionária, é fundamental considerarmos a história da religião do povo de Israel. Precisamos entender o seu aspecto nacional e o porquê dele para não acharmos que no AT a religião se tornou particularista.
Fato é que em todos os povos e culturas de todos os tempos podemos encontrar a presença da religião. Exceto os povos ocidentais modernos que tentam se afastar de aspectos religiosos, todos os outros povos os buscam ao longo de toda a história.
A grande diferença entre as religiões e A Religião está em seu ponto inicial, sua essência. As religiões ao redor do mundo estão baseadas na cultura, história, psicologia ou fé humana e suas ideias indutivas e especulativas sobre o mundo e suas questões. A religião do AT não surgiu dentro do homem ou seus pressupostos e referências, mas foi criada pelo próprio Deus. Portanto, ela é fruto de uma ação divina na história humana. Esta religião é também um monoteísmo étnico, divinamente inspirado, que preserva o homem da desorientação do panteísmo na idolatria e no espiritismo. Ela foi criada para sustentar a esperança inspirada no Redentor (Gn 3.15 – o protoevangelho). Por fim, é o chamado divino de uma minoria seletiva usada como instrumento missionário para a humanidade.
A religião de certa forma se tornou, sim, particularista, mas apenas em método, não em promessa, designo e efeito. A ideia de um Deus particularista não pode acontecer, pois assim Deus deixaria de ser Eloim o Deus da criação e o Deus das nações.
Em Rm. 1, Paulo apresenta uma interpretação teológica da história religiosa das nações. O mundo estava se perdendo na idolatria, sensualidade e depravação. Deus, então, o julga e entrega esse mundo a si mesmo. O pecado foi punido com o próprio pecado e aí vemos o processo de degeneração e perdurou séculos e séculos. Então as nações criam suas próprias culturas e religiões. O mundo entra em um processo contínuo de obscurecimento espiritual. Fica nesse ponto claro que o homem por si só não pode encontrar a Deus. O que nos faz entender que era então necessário que Deus intervisse diretamente na história como o fez.
Deus penetrou na história para procurar Abraão e não o contrário.
Essa religião nacional representa um ponto de virada na história das religiões.
A religião é o cimento que mantém a cultura unida. Religião sem o Deus verdadeiro inevitavelmente leva a imagem inadequada do homem, do pecado e da natureza. Sendo assim a religião é uma fonte para o bem ou para o mal e isso vai depender do conceito de Deus por trás dessa religião.
A escolha de Israel como o povo que carregaria a religião do AT não foi arbitrária de favoritismo, de particularismo conservador e nacionalista. Foi um ato da soberania e escolha gloriosa para preservar a raça e o destino temporal e eterno da humanidade.
Dessa forma Israel é o povo mediador entre Deus e as nações. A nação que deveria revelar a revelação única que recebera de Deus. Sendo assim, nesse método particularista, Israel é chamada para ser um CANAL e não um DEPÓSITO de bênçãos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário